Vivemos em uma cultura que valoriza desempenho contínuo, estabilidade emocional e alta produtividade. Nesse contexto, emoções como tristeza, frustração e desalento costumam ser interpretadas como sinais de fraqueza. No entanto, do ponto de vista psicológico, essa leitura é reducionista e potencialmente prejudicial. As emoções chamadas “negativas” cumprem funções adaptativas essenciais. A tristeza, por exemplo, está associada a processos de reflexão, reorganização cognitiva e sinalização de necessidade de apoio (Ekman, 1992). A regulação emocional saudável não implica supressão constante, mas manejo flexível das experiências afetivas. Pesquisas indicam que o uso recorrente de estratégias de supressão emocional está associado a menor expressão afetiva, pior qualidade relacional e maior ativação fisiológica (Gross & Levenson, 1997; Gross & John, 2003; Kula et al, 2026). Quando vulnerabilidades são sistematicamente rejeitadas, pode ocorrer empobrecimento da vida emocional. A dificu...