A abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), especialmente dentro do modelo de Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs), desenvolvido por Jeffrey Young, amplia a TCC tradicional e foca em padrões de pensamento, emoção e comportamento formados precocemente na vida e que são disfuncionais.
Aqui está uma visão geral básica:
🔹 O que são Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs)?
São padrões amplos e profundos que se desenvolvem na infância e adolescência, e são reforçados ao longo da vida. Eles envolvem:
-
Emoções
-
Cognições
-
Sensações corporais
-
Memórias
Esses esquemas são disfuncionais porque distorcem a percepção da realidade, influenciam negativamente os relacionamentos e a autoestima, e contribuem para sofrimento emocional.
🔹 Domínios Esquemáticos segundo Young
Young agrupou os 18 esquemas em 5 domínios principais, que refletem necessidades emocionais universais não atendidas:
-
Desconexão e RejeiçãoEx: Abandono, Desconfiança/Abuso, Defectividade/Vergonha, Isolamento Social
-
Autonomia e Desempenho PrejudicadosEx: Dependência/Incompetência, Vulnerabilidade ao Dano, Emaranhamento, Fracasso
-
Limites PrejudicadosEx: Autocontrole/Autodisciplina Insuficientes, Direito/Grandiosidade
-
Direcionamento para o OutroEx: Submissão, Autossacrifício, Busca de aprovação
-
Supervigilância e InibiçãoEx: Negatividade/Pessimismo, Inibição Emocional, Padrões Inflexíveis, Punição
🔹 Intervenção na TCC com Esquemas
-
Psicoeducação: Explicar ao paciente o que são esquemas e como se formam. Essa é a principal intervenção terapêutica que visa informar e educar indivíduos sobre questões psicológicas e emocionais, promovendo a conscientização sobre a saúde mental. Ela envolve a disseminação de informações sistemáticas e estruturadas sobre transtornos mentais e seus tratamentos, capacitando tanto os pacientes quanto seus familiares a enfrentarem as dificuldades relacionadas à saúde mental. Além disso, a psicoeducação é uma prática fundamental na psicologia e psiquiatria, ajudando a desenvolver estratégias de manejo e habilidades de enfrentamento.
-
Avaliação: Identificar os esquemas presentes com entrevistas, inventários (como o YSQ-L3) e observação clínica.
-
Técnicas Cognitivas: Disputar crenças centrais disfuncionais (ex: "sou um fracasso") com evidências racionais.
-
Técnicas Emocionais e Vivenciais: Diálogo socrático imaginado, cadeira vazia, visualizações...
-
Técnicas Comportamentais: Experimentações comportamentais, quebra de padrões de esquiva ou submissão.
-
Relacionamento Terapêutico: Uso do conceito de reparentalização limitada (o terapeuta funciona como um cuidador responsivo temporariamente, dentro de limites éticos).
🔹 Exemplo Prático:
Esquema de Defectividade/Vergonha:
Crença: "Sou defeituoso(a) e, se os outros souberem quem eu realmente sou, vão me rejeitar."
-
Origens: Críticas severas na infância, rejeição, humilhação, abuso.
-
Manifestações atuais: Dificuldade em se abrir, evitar intimidade, perfeccionismo para esconder defeitos.
-
Intervenção:
-
Identificar memórias de origem (com visualizações ou escrita).
-
Trabalhar com a criança vulnerável (diálogo com a parte interna que sente a dor).
-
Desafiar a crença com evidências da vida atual.
-
Reforçar comportamentos autocompassivos.
Comentários
Postar um comentário