Como psicóloga, acompanho diariamente os impactos das transformações que ocorrem na adolescência — uma fase marcada por intensa reorganização cognitiva, emocional e social. Piaget já descrevia esse período como o momento em que o pensamento se torna hipotético-dedutivo, permitindo ao jovem questionar, formar opiniões, projetar o futuro e construir identidade. É uma fase em que o cérebro está estruturando capacidades essenciais: planejamento, autorregulação, tomada de decisões e pensamento abstrato.
E é justamente por isso que um dado recente merece nossa atenção — e nossa ação.
A NPR(National Public Radio) divulgou um estudo publicado no JAMA Network Open mostrando que o uso de cannabis antes dos 15 anos está associado a maior frequência de uso ao longo da vida e ao desenvolvimento de problemas físicos e mentais na idade adulta.
Por quê?
Porque o cérebro adolescente ainda está em construção. As áreas responsáveis por funções executivas — como resolução de problemas, organização interna, regulação emocional e controle de impulsos — são as últimas a amadurecer.
Isso significa que:
✅ o adolescente não tem ainda o mesmo filtro de avaliação de risco de um adulto
✅ substâncias psicoativas podem interferir nas conexões neurais em formação
✅ o impacto pode se prolongar por anos — mesmo após o uso cessar
Quando combinamos isso com o que sabemos sobre o desenvolvimento cognitivo — especialmente:
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busca por autonomia
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necessidade de pertencimento
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questionamento de regras
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maior sensibilidade social
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fragilidade emocional transitória
… percebemos que não estamos diante apenas de um comportamento de experimentação, mas de um ponto de vulnerabilidade ampliada.
E onde estamos errando como sociedade?
Não é só o adolescente que precisa refletir.
📍 Normalizamos o uso recreativo
📍 Romantizamos o “não é tão grave quanto outras drogas”
📍 Reproduzimos discursos sem base científica
📍 Silenciamos conversas desconfortáveis
📍 Reduzimos o tema a moralismo ou permissividade
Mas há um caminho possível — e ele começa com diálogo.
O convite que faço a você é simples e poderoso:
✨ Fale sobre isso com seus filhos, alunos, sobrinhos, amigos
✨ Traga o tema para a mesa sem julgamento
✨ Ouça antes de responder
✨ Compartilhe dados, não ameaças
✨ Relembre que o cérebro deles ainda está amadurecendo
Mudar começa por conversar.
Conversar começa por enxergar.
Se quisermos adolescentes com pensamento crítico, autonomia saudável e capacidade de projetar futuro — como descreve Piaget — precisamos protegê-los enquanto essas estruturas estão sendo construídas.
Se este texto te tocou, te provocou ou te fez refletir, peço:
✅ compartilhe
✅ comente
✅ continue a conversa
✅ ajude a romper o silêncio
Porque o silêncio também é escolha — e ela tem consequências.
Estou aqui para dialogar, orientar e acolher.
Seguimos juntos — pelo desenvolvimento, pela saúde, pela educação, pelo futuro.
Psicóloga Helena Maciel Nunes (CRP 07/28845)Presidente da Comissão de Educação CRP-RS
Atendimentos online e presencial

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